Por Joana Castro Pereira
A ideia de uma Grande Alemanha precede a invasão da Polónia, a chegada de Hitler ao poder e até mesmo a criação do Partido Nazi. O que ocorreu entre 1938 e 1945 foi o culminar de uma ideia mais antiga.[1]
1848 foi um ano revolucionário para a Europa, durante o qual se assistiu à deposição de vários monarcas em diferentes países. Em Frankfurt, reuniu-se uma Assembleia Nacional Alemã para debater a união política, a liberdade de imprensa e a necessidade de uma construção moderna, “beneath a giant painting of Germania –a rather solidly built maiden in classical robes holding a sword triumphantly unsheathed in one hand and the flag of the German nation in the other.” [2]
Para muitos, a assembleia possibilitou vislumbrar um caminho não seguido, a expressão de um espírito alemão democrático, espírito esse que, poupado ao militarismo prussiano, poderia ter evitado à Europa uma série de guerras. No entanto, Namier , um historiador britânico, discordava desta teoria.[3]
Namier considerava que o verdadeiro espírito de 1848 havia triunfado e que os deputados de Frankfurt, com a sua aspiração a uma Grande Alemanha, haviam aberto caminho ao flagelo nazi. O historiador acreditava mesmo não haver um grande fosso entre os alemães liberais do séc. XIX e os nacional-socialistas do séc. XX, isto porque partilhavam dois elementos extremamente importantes: o amor pela nação e o ódio aos eslavos. Assim, Namier descortinou as raízes do expansionismo alemão nos discursos proferidos em Frankfurt, nos quais ficou patente o desejo de contemplar uma pátria unificada, com superioridade cultural e económica, a qual acabaria por atrair checos, polacos e outros eslavos. No seio da Assembleia Nacional Alemã, havia sido igualmente debatido o domínio de um território que se estenderia do Báltico ao sudeste da Europa, tendo sempre em mente a ideia de um Estado-Nacional forte e poderoso , assim como a rejeição da hipótese de os alemães poderem, alguma vez, tornar-se uma minoria. [4]
1848 foi então o momento em que o parlamento alemão revelou, pela primeira vez, capacidade para destruir a paz do continente europeu. As diferenças políticas já não seriam resolvidas exclusivamente por reis e diplomatas, porque envolviam agora aspirações de populações inteiras, que cada vez mais enfatizavam a importância da terra, da língua e do sangue. Assim, a missão de um hipotético Estado-Nação alemão seria a de aglomerar todos os alemães dentro das suas fronteiras e proteger os membros da nação da influência de um vizinho eslavo.[5]